Startups que faturam apenas R$ 10 mil mensais já atraem investidores – veja o que os fundos exigem

Fundos de Investimentos detalharam os critérios que as levam a aportar recursos em empresas inovadoras

Por: Piauí Negócios – Dulce Luz

Startups com faturamento mensal a partir de R$ 10 mil já podem se tornar elegíveis para receber investimentos. Foi o que apontaram representantes de fundos reunidos nesta sexta-feira (17), durante o Conexão Capital, ação que integra a Feira do Empreendedor Piauí 2026. O evento que acontece até este sábado (18), no Centro de Convenções de Teresina.

O valor de R$ 10 mil foi citado pela gestora Isabel Victoria, do fundo Inova Startups SC, ligado ao Sebrae. “Normalmente, a startup já precisa estar faturando pelo menos 10 mil reais por mês e ter um valuation de até 15 milhões”, detalhou.

A mensagem fez parte de um debate mais amplo sobre os critérios-chave para que uma startup possa receber investimentos. A capacidade de crescimento acelerado, a validação do produto no mercado e, principalmente, a qualidade do time por trás do negócio foram apontadas como os três principais fatores pelos investidores presentes no evento.

Além do faturamento mínimo, Isabel Victoria destacou que o fundo observa o perfil da equipe e o estágio do produto. “A gente olha muito para o time e para o mercado. Queremos startups com MVP (mínimo produto viável) validado, faturamento inicial e sócios que se complementam”, afirma.

O acompanhamento após o investimento também é uma característica do fundo. “Não é só colocar dinheiro. A gente acompanha por um ano, com mentoria e conexão com o mercado, ajudando a resolver problemas de vendas, marketing e gestão”, explica.

O fundo GV Angels, formado por ex-alunos da Fundação Getulio Vargas, também destacou que um faturamento relativamente baixo não impede o aporte, mas ressaltou a importância da equipe. “Além de ter pelo menos 30 mil reais de faturamento mensal, dois a três cofundadores devem ter habilidades complementares. Esses são pontos básicos para avançar”, explica o investidor João Neves, representante do GV Angels.

Ele afirma que o fundo recebe dezenas de startups todos os meses, mas seleciona poucas para apresentar aos investidores. “Hoje a gente avalia cerca de 45 empresas por mês e escolhe três. Dessas, em média, uma recebe investimento”, diz.

Outro fator decisivo é a possibilidade de crescimento em escala. Negócios muito tradicionais tendem a ter mais dificuldade de atrair investimento. “O que todos os fundos olham é a escalabilidade. Se não consegue crescer rápido, fica mais difícil gerar o retorno esperado”, resume.

Na mesma linha, a rede Anjos do Brasil, que atua há mais de uma década conectando investidores a startups, também busca negócios já validados. De acordo com o diretor de investimentos Gabriel Stobiecki, a exigência mínima é que a solução já tenha sido testada no mercado. “A gente procura startups com MVP validado e, de preferência, com alguma receita recorrente. Isso mostra que o cliente realmente quer pagar por aquela solução”, afirma.

Ele destaca que o diferencial do investimento anjo não se concentra apenas no dinheiro. “Quem investe quer também participar, mentorar e acompanhar o empreendedor. É o chamado smart money, que envolve capital financeiro e conhecimento”, diz.

Já a Ventiur Smart Capital, que opera o fundo Inova Nordeste, chama atenção para um aspecto muitas vezes pouco discutido: o risco. Segundo o sócio fundador Carlos Klein, investir em startups exige uma visão de portfólio. “Os números mostram que, a cada dez investimentos, um dá muito certo. Por isso, a gente investe em várias startups ao mesmo tempo”, afirma.

Mesmo assim, há um critério indispensável. “A pergunta que a gente faz é: esse negócio pode valer dez vezes mais no futuro?”, explica. A lógica é simples: o retorno vem quando a startup cresce e é vendida ou recebe novos aportes. Por isso, os investidores procuram negócios capazes de se expandir rapidamente e ganhar mercado.

Dados de organizações como a Associação Brasileira de Startups indicam que mais de 70% das startups no país não chegam à fase de crescimento, o que reforça a importância de critérios mais rigorosos na seleção. Ao mesmo tempo, o Brasil já ultrapassa a marca de 13 mil startups ativas, segundo levantamentos recentes do setor, mostrando um ambiente cada vez mais competitivo.

Durante a ação em Teresina, os investidores também destacaram o amadurecimento do ecossistema local. A aproximação entre empreendedores e investidores é vista como um passo importante para ampliar o número de negócios inovadores no estado.

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